segunda-feira, 11 de março de 2013

60 ANOS. SÓ UM DESABAFO




Uma das coisas mais engraçadas dessa piada chamada vida, é o fato de algumas pessoas passarem por nossa vida e ficarem tão pouco tempo, mas mesmo assim conseguem te marcar por toda uma vida.



Hoje meu pai completaria 60 anos de vida, se não tivesse morrido aos 44 anos, e noto ainda que quase metade da minha vida já se passou sem ele. Se bem que não tínhamos tanto contato assim, devido separações e trabalho que ele teve que ter. Procurava passar o maior tempo possível com ele, sempre que dava para aproveitar. As vezes o sentia distante, as vezes estava bem próximo, mas ele sempre teve um mistério no olhar.


Meu pai era uma espécie de Julius. Eu não tive luxo na infância, tive poucos brinquedos comprados e para ele, a roupa comprada para passar as festas de fim de ano já era o presente de natal. Meu primeiro “A” na escola, foi completado com um “Não fez mais que a obrigação”. E assim a gente seguiu a vida. Eu tinha 19 anos quando ele morreu, 15 anos quando ele se separou pela última vez de minha mãe e ainda na adolescência eu pude perceber que se eu quisesse algo, eu teria que buscar sozinho.

Como qualquer ser humano, ele acertou e errou. Muito nos dois casos, mas nunca o julguei, afinal, ele deve ter tido seus motivos. Tudo o que ele fez, me inspirou. Erros ou acertos, bastava eu escolher como aprender com a situação.

Nunca tivemos grana, o que consequentemente nos impedia de ter brinquedos como a maioria dos primos e crianças a nossa volta, mas uma coisa que sempre recebi foi caráter, foi aprender falar olhando nos olhos, foi falar sem me importar se vou agradar as pessoas, falar aquilo que penso e ser verdadeiro, nunca ser falso e lutar pelo que é meu. Dar valor ao que é bom e ao que e quem merece, não me importar com o que é supérfluo e ajudar as pessoas. Algumas coisas ele me ensinou diretamente (como quando ele me disse: Se você quiser que alguém preste atenção, olhe na porra dos olhos do filho da puta) e outras foi indiretamente. Enfim, o velho sempre foi uma escola.

Das lembranças que tenho, algumas são quando viajávamos de caminhão nas minhas férias escolares (Ele foi caminhoneiro), onde tive meus primeiros contatos com cozinha e sobre abnegação em pró da família, também aprendi uma história muito legal, pois não comia linguiça (tinha visto meus avós maternos matar um porco) e com a história de um garoto que morava numa terra distante (hoje percebo que muitas vezes o garoto era ele) que trocaria seu mundo por qualquer tipo de comida que não fosse aquela plantada. Ou ainda uma do garoto que no seu aniversário não tinha bolo, mas a mãe comprou uma goiabada e colocou uma vela para fazer de bolo... 

Numa dessas viagens, um macarrão azedou e enquanto eu ia jogar fora, um casal de crianças pediu, dizendo que não tinha problema estar estragado, eles comeriam mesmo assim. Meu pai apenas olhou para os dois e disse. Esperem um pouco, estou fazendo para nós e vocês podem comer aqui com a gente. O menino disse que não precisava, pois ia levar para o irmão maior também (Era coisa de uns 13, 9 e 8 anos) e meu pai disse: Chama o piá aqui também. E lá estávamos nós, os dois e três pessoas que nunca vimos na vida, comendo e conversando como se nos conhecêssemos. Na hora que estávamos indo ele comentou: “Lembra que eu te falei que sempre existe alguém que precisa mais que você?”. Pois é, esse é um dos motivos que eu ajudo as pessoas. São coisas que marcam e ajudam moldar o caráter de uma pessoa.

Não ganhei bicicleta, não ganhei discos, não ganhei passaporte da alegria do Playcenter, não ganhei viagens de escola e nem ganhei videogames, mas ganhei uma coisa muito melhor, ganhei um grande exemplo, ganhei experiência, ganhei uma excelente formação, coisa que hoje em dia não é dado para a maioria das crianças.

Uma vez ele me disse que a gente deve ajudar não porque te faz sentir superior, não porque Deus fica contente e nem porque a pessoa vai te dever um favor, ele me disse que é bem mais fácil levantar pessoas que tropeçar ou pisar nelas. E acredito seriamente nisso.

Alguns dias antes de meu pai morrer, eu disse que o amava e era grato por tudo que ele tinha feito e mesmo a ausência dele me fez forte e para minha surpresa, com aquele jeito delicado de Julius disse: Você sempre vai ter que escolher na vida. Ou ficar de cu virado reclamando ou aprender e fazer melhor. A escolha é sua e ninguém é culpado por culpa de escolha errada. Na época não entendi direito e ainda pensei: “Filho da puta, me deixa sozinho e ainda quer ter razão”. Ele finalizou dizendo: “Um dia você vai me entender e vai agradecer porque te ajudei encontrar a força em você, você se fez homem sozinho”. Pois é, ele tinha razão. Gostaria de agradecê-lo por isso. 

Nossas últimas palavras trocadas foram:

- “Pai, não esquece que tem minha formatura no fim do ano, heim?”
- “Vou estar lá, vai ser mais uma pra gente comemorar.” – Ele disse.
- Tô contado com isso, vê se não vai furar.
- Não conte com os outros, conte com você. Mas eu dou um jeito, se eu não for, liga em casa porque eu morri.
- Deixa de ser bobo, o senhor ainda é novo e forte pra caramba.
- Pode ser, mas 04 derrames acabam com qualquer um. Pelo menos não sou preto (Antes que moralistas encham o saco, meu pai era negão e fazia piada com negões). O importante é que te amo e sinto orgulho de você.
- Deve amar, né?
- Amo. Do meu jeito. Faria tudo por você e seus irmãos e você tem que aprender que muita gente tem jeito diferente de demonstrar amor. 

De alguma forma eu senti que era uma despedida, nos abraçamos e eu disse: “Pai, só tenho que te agradecer e te amo muito, mesmo tendo hora que você não merecia”.
- Nato, fica em paz que eu sei que tenho um bom filho. Cuidado com essa bicicleta e manda um beijo pra todo mundo.

Em menos de 15 dias após essa conversa “doce” e “delicada” ele estava morto e sendo sepultado. Já se passou 16 anos e daqui a pouco vai ficar igual o tempo que ficamos juntos e que ficamos separados. Eu só tenho que agradecer o que me foi feito, graças a muitas coisas, aprendi que tenho asas e todas as vezes que estava no escuro, eu poderia brilhar sozinho.

Pois é, meu pai não tem Facebook e não vou encher isso de recados para ele nesse dia. Acho que herdei esse lado casca grossa e é uma grande herança que tenho orgulho. 

Enfim, sou filho de pais separados, perdi o jovem pai quando eu era jovem, tenho quase a idade que ele tinha quando ele morreu e nem por isso fui fraco, não cai em diversas armadilhas da vida e ando seguindo. Cada erro e acerto é consequência de minhas escolhas. Hoje eu estou e ainda continuo correndo contra o vento, igual eu aprendi, igual meu pai me ensinou.

Essa é em sua memória, essa é pelos momentos que passamos juntos e pelas conversas que tivemos.


Contra o Vento
Parece ontem
Mas foi há muito tempo
Janey era amorosa, ela era a rainha das minhas noites

Lá no escuro com o rádio tocando baixo
E os segredos que dividíamos as montanhas que movíamos

Pego como um fogo selvagem fora de controle
Até que não houvesse nada mais para queimar, nada mais para provar

E me lembro o que ela me disse
Como ela jurou que nunca iria terminar
Me lembro como ela me segurava tão forte

Gostaria que eu não soubesse agora o que eu não sabia então
Contra o vento

Nós corríamos contra o vento
Éramos jovens e fortes, nós corríamos
Contra o vento

E os anos passavam-se lentamente
E me vi sozinho
Cercado por estranhos que eu achava que fossem meus amigos
Me encontrei mais e mais longe de casa

E acho que perdi meu caminho
Havia tantas estradas
Eu vivia para correr e corria para viver
Nunca me preocupando em pagar e nem acerca de quanto eu devia

Seguindo a oito milhas por minuto durante meses
algumas vezes
Quebrando todas as regras maleáveis
E eu comecei a me ver procurando
Procurando por abrigo novamente e novamente
Contra o vento

Um pequeno algo contra o vento
Eu me vi procurando por abrigo contra o vento

Bem, aqueles dias sem rumo passaram-se
Eu tenho tanto para pensar
Prazos e compromissos
O que inclur, o que deixar de lado

Contra o vento
Eu ainda corro contra o vento
Eu estou mais velho agora mas continuo correndo
Bem estou mais velho agora, mas ainda continuo
Ainda continuo correndo contra o vento
Ainda continua correndo contra o vento
Eu ainda continu a correr contra o vento
Contra o vento
Eu ainda continua a correr contra o vento

MANIFESTAÇÕES E GREVES COM CONSCIÊNCIA


Enquanto mais uma greve é articulada e mais um protesto é organizado, vemos o quão fã de desordem e quão marionetes do Estado as pessoas são. 

Acredita-se fielmente que os sindicatos estão ai para ajudar o trabalhador, quando os mesmos dirigentes de sindicatos participam de almoços e festas patrocinadas pelos empregadores da categoria. 

Lobos se fantasiam de cordeiro com o único intuito de enganar os pobres trabalhadores, que a cada dia que passa, se torna mais uma marionete comandada por mãos podres. E quem dança essa musica idiota? A população trabalhadora, seja ela trabalhadora rica ou trabalhadora pobre. Por que? Vamos tomar como exemplo, uma greve organizada por trabalhadores das linhas de ônibus, trem e metrô. Podemos imaginar a greve coletiva (nos três setores) ou individual, o resultado é o mesmo e a explicação é a mesma.

Olhe só: 

O Sindicato dos trabalhadores das industrias de ônibus organizam uma greve. No dia tal, 

todos os motoristas vão cruzar os braços. Não vai haver ônibus trabalhando, os trabalhadores vão se juntar para conseguirem melhorias para a classe. Ok. É dia de greve e esse é um dos poucos direitos que (ainda) temos. 

Ok. Agora vamos fazer o balanço das greves e ver como os sindicatos trabalham a favor das empresas. 


Em um dia de greve, o ônibus fica parado na garagem e a empresa DEIXA DE GANHAR (olhe bem. Ela não perde, ela deixa de ganhar) o faturamento do dia. 

Em contra partida, O POVO sofre as conseqüências dessa greve, afinal, não vai ter condução. 


As pessoas que tem carro, vão sofrer nos congestionamentos e quem não tem carro, vai ter de pagar o dobro em uma lotação, indo muito mais apertado que de costume, sem segurança e o que é pior, pegando mais que uma forma para chegar em seus destinos. Assim, muita gente chega atrasada e muitos chegam a nem comparecer em seus compromissos, deixando muita gente perdendo enquanto o sindicato acha que o trabalhador está ganhando. A entrevista que você tinha marcado, a consulta médica, a reunião, o primeiro dia de emprego, enfim, quanta coisa ficou para trás por causa de uma ação má articulada. 

E qual seria a saída? Se os sindicatos estivessem mesmo preocupados em ajudar os trabalhadores e não preocupados em poupar o bolso das empresas, proporiam o seguinte: 

Vamos fazer um protesto consciente. Uma greve consciente. Como vai funcionar? 
trabalhadores trabalhando, porém, ao invés de cruzarem os braços e deixar as seqüelas para a população, fariam o seguinte:  
CATRACAS LIVRES. 


Com as catracas livres, a Empresa deixa de ganhar o faturamento do dia, assim como no primeiro caso, porém tem de “brinde”: gastos com combustíveis, peças, veiculo, enfim, todos os gastos normais de um dia de trabalho. Sendo assim, além dele deixar de ganhar, ele tem “prejuízo” o que gera um negativo para a empresa ao invés do “elas por elas” do primeiro caso. Com esse aperto, a empresa ia notar que o trabalhador não é burro e assim, abririam os olhos de uma forma mais rápida. 

E o povo, o que ganha com isso? 

O Povo vai trabalhar normalmente, não perde as suas consultas, não perde seus 

compromissos, não precisa pegar 03 conduções diferentes para chegar em um local onde ele costuma pegar apenas uma, não fica passando raiva, não paga a condução e o mais importante, apóia a greve, onde todo mundo leva a vida normalmente e o principal: O Nó só vai apertar aonde deve ser apertado. 

Essa é a minha sugestão. Não peço o fim dos sindicatos, mas que eles sejam mais coerentes e pensem nos trabalhadores e não no bolso do empregador. Não sou contra as greves e manifestações por melhoras, o que sou contra é essa palhaçada descabida que vemos, onde as pessoas pensam apenas no próprio umbigo. 

Você pode ter um mundo melhor, basta querer.